quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

A Democracia foi uma conquista que precisa ser consolidada

O Fim da Ditadura e a o retorno da Democracia ao Brasil foram conquistas do Povo e não uma concessão dos militares e dos civis que se escondiam atrás deles. Houve um processo de mobilização de massas que gradativamente tornou inviável a manutenção do regime autoritário. A partir de 1976 o Movimento Estudantil voltou a se articular, em 77 os estudantes tomaram as ruas, em 79 os sindicatos retomaram as greves, em 84 o movimento das Diretas Já! deixou claro que a maioria do Povo estava contra a Ditadura. Durante esse processo de mobilização, algumas conquistas foram atingidas parcialmente, como a revogação do AI-5, a Lei da Anistia, a reorganização da UNE, a eleição de um civil pelo Colégio Eleitoral etc. Apesar da emenda das Diretas não ter sido aprovada, a mudança apontada pelo movimento não pôde mais ser detida.

Os ditadores de plantão percebendo não haver condições em manter o aparelho ditatorial, optaram por abrandar a repressão e garantir uma transição gradual e pacífica, para seu próprio bem. Se tentassem reprimir o incontrolável movimento de massas, a reação do Povo não seria pacifica e provavelmente a Democracia seria conquistada pela violência.

Por causa da covardia dos lacaios da Ditadura houve uma transição gradual para a Democracia no Brasil. Os lacaios da Ditadura nunca foram movidos por bons ideais e nem sentimentos democráticos. A Ditadura “abrandou” porque não tinha condições de “endurecer”, caso contrário, teria optado pela permanência da repressão (como ocorreu em 1968, quando o AI-5 deu fim aos movimentos democráticos).

A partir deste entendimento, podemos considerar que houve uma disputa entre dois lados: Democracia e Ditadura. A partir de 1985 venceu o time da Democracia (que tinha sido derrotado em 1964). No entanto, como a turma da Ditadura optou pela saída covarde, tiveram condições de negociar sua rendição. Como o Brasil se converteu em uma democracia, não houve um acerto de contas.

Não houve, mas deveria haver. Se os lacaios da Ditadura tivessem aceitado sua derrota com plenitude, todo o passado sinistro do Brasil entre 1964-1985 seria aberto e esclarecido, os torturadores e assassinos pediriam desculpas, as ruas com nomes de ditadores seriam rebatizadas e ficaria claro que a Democracia venceu. Porém, não é isso que ocorre, já que os arquivos militares continuam secretos, as famílias das vítimas da Ditadura continuam sem informação sobre seus parentes desaparecidos, os torturados em vez de vergonha se orgulham do que fizeram, os apoiadores da Ditadura se sentem no direito de questionar a reparação financeira que a Comissão de Anistia faz às vítimas do Regime Militar etc.

Diante dessa postura dos lacaios da Ditadura, está evidente que o Brasil NÃO resolveu seu passado recente. Sendo assim, a ferida continua aberta e deve ser curada. Infelizmente, durante os 30 anos da Lei da Anistia não houve qualquer intenção dos lacaios da Ditadura em se retratar pelo que fizeram, ou seja, a reparação não será espontânea, cabendo ao atual Estado Democrático fazer a reparação compulsória.

Na História do Brasil, este é o momento de deixar claro quem venceu: se foi a Democracia ou se foi a Ditadura. E o esclarecimento e as punições das violações de Direitos Humanos durante a Ditadura Militar são a inequívoca demonstração de que em 1985 houve uma vitória da Democracia sobre a Ditadura. Não existe reconciliação sem isso.

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De São Paulo-SP.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A falsa visão do Congresso Nacional

Pode-se dizer que no Congresso Nacional o mais bobo é Deputado Federal. Sendo assim, o mais bobo, no mínimo, venceu uma eleição. Em que pese a falta de proporcionalidade entre os estados, vencer uma eleição não é tarefa para qualquer um.

Apesar disso, os costuma-se passar uma impressão da Política de que ninguém trabalha, são todos preguiçosos etc. Nada mais falso. Podemos criticar (e muito!) nossos políticos, mas por conta de sua visão de mundo, na maioria das vezes patrimonialista, conservadora e, às vezes, corrupta. Por outro lado, não podemos acusar nossos parlamentares de preguiçosos, afinal, o deputado que não trabalhar 24 horas por dia (incluindo finais de semana) não se reelege. O eleitor é implacável (ainda bem!).

  • Tentam passar a idéia de que os parlamentares apenas trabalham de terça a quinta, dias das sessões. Ocorre que fazer leis não é a única tarefa dos deputados. Essa seria uma redução exagerada de suas funções.
  • Criticam os deputados quando estes voltam para as bases. Ora, ocorre que as bases são os seus eleitores. Em vez de criticados, os deputados que prestam contas ao eleitorado deveriam ser elogiados.
  • Avaliam o Congresso pela quantidade de leis que produzem. Na verdade, a qualidade do trabalho legislativo não tem absolutamente qualquer relação com a quantidade de leis.

Mas de onde surge essa visão tão pouco real da política parlamentar?

Os jornalistas que cobrem o Congresso Nacional certamente entendem bastante de política e têm sua agenda de trabalho moldada às atividades dos parlamentares. Ou seja, não é factível que os jornalistas por sua experiência acreditem que os deputados não trabalhem. Então, quando reproduzem essa opinião é por orientação de seus chefes. Os jornais, revistas, emissoras de TV e rádio, que ninguém se engane, são empresas como qualquer outra. Ou seja, seus donos são empresários (aquele mundo romântico em que os jornais eram dirigidos por jornalistas não existe há uns dois séculos...). Os empresários enxergam o mundo com a visão de empresários e tentam reproduzir essa visão através de seus veículos de comunicação. E os jornalistas são seus empregados assalariados e obedecem sem questionar.

Em suma, essa visão falsa da política parlamentar é a visão que interessa às elites de nosso País. As mesmas elites que financiam a maioria dos parlamentares. As mesmas elites que têm como projeto de vida ocupar uma daquelas cadeiras de deputado federal. Essas elites querem convencer o Povo a não se interessar pela política, para que somente as elites se interessem. Para que o Povo não se candidate, para que as elites possam continuar dominando o Congresso Nacional.

Nossos parlamentares devem sim ser criticados, mas pelo seu conteúdo. E o Povo não deve se sentir desestimulado com a política, ao contrário, deve converter sua indignação em voto na urna.

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De São Paulo-SP.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Estradas Paulistas: Me engana que eu gosto!

Durante o enorme congestionamento de final de ano, é um escárnio a Propaganda do Governo do Estado de São Paulo sobre as estradas paulistas (melhor seria dizer “Propaganda Eleitoral de Serra para Presidente”...). De acordo com a propaganda, tratam-se das melhores estradas do Brasil. Talvez sejam, mas a que preço?

As estradas paulistas foram todas privatizadas e têm os pedágios mais caros do Brasil. É mais barato atravessar o Brasil (do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte) do que ir de São Paulo a Ribeirão Preto, no interior do Estado. E olha que Ribeirão nem é tão longe assim... Imagine quanto custa ir para São José do Rio Preto, Araçatuba ou Presidente Prudente!

Daqui a pouco, o candidato presidencial tucano José Serra (que nas horas vagas é Governador de São Paulo) vai apresentar o Colégio Bandeirantes como exemplo da educação no estado.

Para não dizer que nossa crítica não é construtiva, ficam duas sugestões para Serra baratear os pedágios:

Dica 1 – Reverter as concessões das estradas. A natureza de toda empresa é dar lucro para seus sócios, de modo que, além dos custos com manutenção das estradas, o preço do pedágio cobra um valor a mais.

Dica 2 – Suspender a propagandas e aplicar o valor na melhoria das estradas.

A obrigação de manter a qualidade das estradas é do Governo Estadual, que já arrecada tributos para tal. Os pedágios podem servir de complementação, lógico, mas devem ter um preço razoável e compatível com o cobrado no restante do País.

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De São Paulo-SP.

sábado, 26 de dezembro de 2009

E tu, Pedro?

O Senador Pedro Simon (PMDB-RS) é um dos grandes homens públicos de nosso tempo. É honesto e honrado, mas totalmente oportunista. Falou horrores do Presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP), mas nunca disse uma vírgula sobre a Governadora Gaúcha Yeda Cruzius (PSDB).

Neste final de ano, entusiasmados com a confusão do Governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (DEMo), o PMDB gaúcho optou por sair do Governo Yeda. Pedro Simon como presidente do PMDB gaúcho fez uma ressalva de que o partido não vai para a oposição e que está aberta a possibilidade de pmdbistas continuarem ocupando cargos.

Se Pedro Simon tivesse contra Yeda apenas 10% da indignação que demonstrou contra Sarney, estaria pedindo o impeachment da governadora, mas como sua indignação é seletiva, apenas faz jogo para a torcida. Uma pena, pois era um dos poucos que nos serviam de exemplo.

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De São Paulo-SP.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Sorria, meu bem! Sorria! O ônibus agora é R$ 2,70!

Os ônibus são uma porcaria, pois a Prefeitura não exige qualidade das empresas (já houve um tempo, não muito atrás, que na cidade rodavam ônibus com ar condicionado).

O tempo de viagem é infernal, pois não houve investimento em corredores de ônibus.

O preço já era escorchante, agora será mais ainda. O valor R$ 2,30 equivalente a US$ 0,99 e é a 2ª tarifa mais cara da America Latina (perde apenas para o Rio de Janeiro) e 42ª do mundo.

O suposto prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (do DEMo, mesmo partido de José Roberto Arruda, Governador corrupto do Distrito Federal), está no poder desde 2005, quando na época era vice de José Serra (atual candidato presidencial tucano que nas horas vagas é Governador de São Paulo). Desde que a dupla dinâmica da política paulista (Serra e Kassab) assumiu, a passagem subiu 35,29%, enquanto a inflação foi de 22,25% (de acordo com Cornélia Nogueira Porto, coordenadora do Índice de Custo de Vida (ICV) de São Paulo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos (Dieese).

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De Cotia-SP.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Comparações felizes

Em dezembro de 2009, a então Ministra Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, cometeu um ato falho e disse que o "meio ambiente é sem dúvida nenhuma uma ameaça ao desenvolvimento sustentável". Na realidade, Dilma queria dizer que o aquecimento global seria a ameaça.

Em janeiro de 2001, o então Presidente Fernando Henrique Cardoso cometeu um ato falho e, ao referir-se a primeira edição do Fórum Social Mundial, disse que se tratava de um movimento "cartista". Na realidade, FHC queria acusar o Fórum Social Mundial de "ludismo". Cartismo e Ludismo são movimentos sindicais do século XIX, mas com métodos e resultados bem diferentes. Cartismo foi o nome dado ao movimento sindical na Inglaterra do século XIX que exigia democracia e que conquistou pela primeira vez os direitos trabalhistas. Ludismo, por sua vez, foi o movimento de sabotagem e destruição das máquinas industriais, que estavam tirando os empregos dos operários.

Dilma e FHC cometeram gafes, como qualquer pessoa. Segundo os críticos de Dilma, a razão de seu ato-falho foi sua falta de compreensão das questões ambientais. Com relação a FHC, considerando que antes da política ele foi um grande sociólogo e professor da USP, o ato-falho é muito mais grave.

E o que isso tudo quer dizer? Nada, apenas que qualquer um comete atos-falhos. O estranho é a publicidade que alguns recebem...

Só para encerrar, em abril deste ano, quando a Gripe Suína ainda era notícia, o candidato presidencial tucano José Serra (que nas horas vagas é Governador de São Paulo) declarou que "a gripe suína é transmitida pelos porquinhos e pelas pessoas quando espirram ou quando se chega perto do nariz do porco". E aconselhou: "o providencial é não chegar perto do porquinho". Não foi um ato falho, foi uma idiotice mesmo. E depois dizem que Serra foi um excelente Ministro da Saúde... Imagina se tivesse sido um ministro ruim!

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De São Paulo-SP.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Nova privatização sendo preparada...

A dupla mais incompetente do Poder Público é aquela formada por José Serra e Gilberto Kassab. O Governador de São Paulo e o Prefeito da Capital são o Batman e o Robin da política paulista. Em todos os setores a atuação da dupla tem sido DE-SAS-TRO-SA, menos na Propaganda, é claro!

Além de incompetente, a dupla dinâmica nunca assume a responsabilidade por nada. O PSDB está no comando do Estado de São Paulo há 16 anos e a dobradinha Serra-Kassab dirige a Prefeitura há cinco. Mesmo assim, eles não assumem a responsabilidade pelas enchentes na Capital. Às vezes atribuem a culpa aos antecessores (quem?), às vezes dizem que o Povo é o responsável e até mesmo São Pedro acaba sendo acusado pela dupla...

Na última enchente, Serra botou a culpa nas turbinas do sistema de bombeamento da Usina de Traição, no Rio Pinheiros. Essa usina reverte o fluxo do Rio Pinheiros no sentido contrário ao Rio Tietê, o que diminui o volume das águas. Curiosamente, as fotos da enchente mostram que o volume do alagamento estava acima do nível do Rio Tietê, ou seja, não houve transbordamento. Na verdade, o problema foi o sistema de escoamento.

As acusações infundadas contra a Usina de Traição, além de tentarem acobertar a incompetência de Serra-Kassab, são uma tentativa de desmoralizar a empresa pública responsável por ela e preparar sua privatização. Serra não assume, mas é louco por privatizar o patrimônio publico: tentou vender a CESP (cuja venda foi cancelada durante o leilão, em meio a um enorme protesto) e já vendeu a Nossa Caixa (para o Branco do Brasil que, antes de mais nada, é uma empresa). Seu próximo alvo é a Empresa Metropolitana de Águas e Energia.

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De São Paulo-SP.

Reparem na foto como o nível da água do rio está mais baixo do que a enchente. A propósito, a foto foi retirada do blog do PPS de São Paulo (não divulgamos o endereço para não fazer publicidade). O PPS, como bom partido auxiliar dos tucanos, atribui a culpa das enchentes ao aquecimento solar...

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Ditadura Dinamarquesa

De acordo com o Estadão de hoje, 1,1 mil pessoas foram detidas nos protestos em Copenhague.

De acordo com a agência EFE, no Irã foram presos 1800.

Se forem presos mais 700 em Copenhague a Dinamarca vai ser considerada uma ditadura?

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De São Paulo-SP.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Governo Lula x Governo FHC

Na quinta-feira (10/12/2009) foi ao ar o Programa Nacional do PT. O programa foi muito bem elaborado e pontuou com clareza as principais diferenças entre o Governo Lula e o Governo tucano de Fernando Henrique Cardoso. A comparação com FHC chega a ser até covardia: privatizações, desemprego, submissão aos interesses das grandes potências e dependência econômica são as principais lembranças do governo tucano.

Fazendo uma análise pontual, podemos dizer que o Governo Lula tem dois méritos fundamentais. O primeiro mérito foi a condução da economia com foco no crescimento e no desenvolvimento. O segundo foi a redução das desigualdades sócias, através dos vários programas sociais e do aumento real e constante do salário mínimo. Na época da Ditadura, o Ministro da Fazenda Delfin Netto dizia que era preciso fazer o bolo crescer para dividi-lo. Lula fez o bolo crescer e dividiu ao mesmo tempo. Por isso este governo ostenta altíssimos índices de popularidade.

Apesar destes dois méritos fundamentais, faltou ao Governo Lula medidas estruturantes. Tudo que foi criado nos últimos sete anos ainda é por demais dependente dos programas do Governo Federal, ou seja, basta uma mudança no titular do Poder Executivo e toda a mudança pode ser facilmente revertida. A economia cresceu, é fato, mas cresceu nos setores pouco estratégicos, o que mantém a posição do Brasil como país subdesenvolvido. A igualdade social aumentou, mas basta uma canetada para que todos os programas sociais voem pelos ares.

No caso da Economia, o Brasil cresce amparado no setor exportador de commodities, produtos primários de baixo valor agregado. Falta ao Brasil tecnologia para desenvolver micro-chips, turbinas, energia nuclear etc. Somente com isso pode-se dizer que o País é economicamente soberano.

Com relação à igualdade social, todos os programas sociais são válidos e importantes, mas são meros paliativos. Basta uma decisão do novo presidente para fazer sumir o Bolsa-Família, Luz Para Todos, PROUNI etc. Faltou ao Governo Lula investimentos nos setores sociais estruturantes. No caso da Educação, apesar de investimentos muito superiores a todos os governos precedentes (Lula criou mais universidades que Juscelino Kubitscheck), ainda foram insuficientes para tornarem a mudança irreversível. Somente quando houver escola de qualidade e universidade pública universal o Povo deixará de depender de auxílios emergenciais.

O Governo Lula já está entre os melhores da História do Brasil, mas a mudança que ele promete ainda está distante.

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De São Paulo-SP.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Prêmio Sun Tsu

O Presidente americano Barack Obama recebeu o Prêmio Nobel da Paz e no discurso aproveitou para fazer uma defesa da guerra. Segundo ele “o uso da força é não apenas necessário como também moralmente justificável”. Sun Tsu ficaria mais orgulhoso do que Alfred Nobel.

O Presidente de Cuba, Fidel Castro, achou muito cínica a atitude de Obama ao receber o Nobel da Paz enquanto continuava levando adiante a guerra no Afeganistão. Talvez Obama seja cínico, mas quem recusaria um prêmio desses apenas para manter coerência?

A crítica mais grave deve ser levantada contra o Comitê do Nobel, que notoriamente fez uma escolha precipitada e nem um pouco coerente.

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De São Paulo-SP.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Raciocínio lógico, óbvio!

Meio mundo caiu de pau em cima do Presidente Lula quando este disse que as “imagens não falam por si”. De acordo com os críticos de Lula, nas imagens de Governador José Roberto Arruda (DEMo-DF) recebendo dinheiro a corrupção seria tão óbvia que as imagens falariam por si.

Sendo assim, vamos falar de obviedades:

O “caixa 2” do Arruda não era só para ele, é óbvio que o dinheiro era dividido pelo partido, no caso o DEMo.

De toda a influência do DEMo, quais são os dois cargos mais importantes? O primeiro deles é o Governo do Distrito Federal, óbvio! E o segundo? É a Prefeitura de São Paulo, óbvio!

Sendo assim, é óbvio que o dinheiro do Arruda serviu para eleger o Gilberto Kassab (suposto Prefeito de São Paulo).

E neste caso, as imagens falam por si?

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De São Paulo-SP.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O mundo é cinza

Excepcionalmente (fizemos questão de apresentar em negrito e grifado, para reforçar o caráter da exceção) esta coluna vai concordar com uma iniciativa política do Deputado Federal Raul Jungmann (PPS-PE) e uma opinião do comentarista Arnaldo Jabor.

O Deputado Jungmann é coerente ao propor que o Povo, através de plebiscito, decida se quer a Reforma Política. Sempre que surge um escândalo novo a proposta da Reforma Política volta a ser debatida, mas em pouco tempo o assunto esfria e a proposta é engavetada. Talvez com um pouco de pressão popular a Reforma Política finalmente se concretize.

Arnaldo Jabor é um neoliberal, elitista e paga-pau de tucano. Porém, em se tratando de costumes, Jabor não pode ser considerado conservador. Sua opinião sobre as drogas é bastante coerente e racional. Provavelmente ele só a emitiu para agradar seu guru, o Fernando Henrique Cardoso. Independente da motivação, sua opinião é bem razoável.

Esses dois fatos são para provar que o mundo não é preto nem branco, o mundo é cinza!

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De São Paulo-SP.

domingo, 6 de dezembro de 2009

“Crepúsculo”, “Lua Nova”, “Lua de Cristal” e afins...

Na falta de um assunto adequado, retomamos um assunto antigo. Pode não ser muito relevante, mas a indignação nos força a voltar ao assunto.

A caracterização de um vampiro é muito simples. Qualquer criança sabe que vampiro é uma pessoa que bebe sangue humano, vira morcego e morre se tomar sol. São apenas três características, bem simples.

Na série Crepúsculo, os vampiros bebem sangue de animais (quase um movimento vegan do mundo das trevas), não viram morcego e ao sair à luz do sol “brilham como diamante” (que porcaria é essa?!?). Resumidamente, das três características fundamentais de um vampiro, os protagonistas de Crepúsculo têm apenas uma (e pela metade, já que o sangue que bebem não é humano).

A gente até perdoa a autora dos livros por fazer um romance emo ambientado no mundo das trevas, mas ela ao menos poderia ter representado direito os vampiros.

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De São Paulo-SP.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Festival Sundance de Cinema 2010

O Festival Sundance de Cinema, que privilegia o mercado independente e os novos talentos, ocorrerá entre 21 e 31 de janeiro em Salt Lake City. A direção do Festival anunciou a seleção de filmes.

Na categoria WORLD CINEMA/ DOCUMENTARY COMPETITION participa o filme “Secrets of the Tribe” de José Padilha (aquele do “Tropa de Elite”...).

Concorre também o curta “Eu e Crocodilos”, que foi produzido para o 12º Cultura Inglesa Festival e também ganhou prêmios no Festival do Rio e em Portugal.

Ficha Técnica

Direção: Marcela Arantes
Roteiro: Marcela Arantes
Elenco: Giulia Amorim, Bia Barbosa, Patrícia Soares, Victor Mendes, Ronny Kriwat e Theo Nogueira
Produção: KNS PRODUÇÕES
Produção Executiva: Jether Bineli
Direção de Produção: Lucas Lui
Direção de Fotografia: Caroline Leone
Direção de Arte: Rafael Beck
Montagem: Caroline Leone
Som Direto: Guilherme Shinji


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De São Paulo-SP.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Caixa 2 ou Caixa 1? O problema é o mesmo!

O Governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEMo), ao ser flagrado em vídeo recebendo um dinheiro suspeito, deu a desculpa oficial para esse tipo de situação. Alegou tratar-se de “caixa 2” de campanha.

Essa história começou com o Senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) que nos tempos de governador inventou o “Valerioduto” (do empresário carequinha Marcos Valério). Em 2005 essa mesma história se repetiu com o PT e foi apelidada de “Mensalão”. Nas três situações, a desculpa oficial é a mesma: trata-se de “caixa 2” de campanha.

A desculpa faz sentido porque fazer “caixa 2” é um crime menor do que desviar verbas públicas, mas continua sendo crime. E por que é feito “caixa 2” para financiar as campanhas? Ou porque a empresa não quer (muito suspeito) ou não pode (porque é ilegal) doar dinheiro para a campanha eleitoral.

Em geral, as empresas que não podem doar dinheiro oficialmente para campanhas eleitorais estão impedidas por motivo de algum envolvimento com o poder público. Às vezes tem contrato direito com a Administração Pública ou algum outro interesse. Tendo um interesse direto, o político eleito com dinheiro dessa determinada empresa é suspeito para tomar qualquer decisão (legislativa ou executiva) que a envolva.

Na prática, esse conflito de interesses ocorre também na doação de dinheiro contabilizada para a campanha. Mesmo que uma determinada empresa não tenha qualquer contrato com a máquina pública, ela pode ser beneficiada por alguma decisão indireta, ou seja, a suspeição também existe no “caixa 1”.

No sistema eleitoral Brasileiro, as campanhas são tão caras, que qualquer um que queira se eleger precisa de muuuita grana. E para tal, ou o candidato é rico, ou ele é financiado por alguém. Na teoria é possível que alguém se eleja financiado por um enorme grupo de cidadãos que coletivamente contribuíram cada um com um pouco de seus salários, mas em geral só se elege quem é financiado por empresas.

Moral da história, todo nosso sistema político está de rabo preso com o setor empresarial. Isso é democracia?

O escândalo do Arruda evidencia um grave problema do sistema eleitoral Brasileiro que é o “caixa 2”, mas abre oportunidade para discutirmos o problema de fundo, que é o FINANCIAMENTO das campanhas eleitorais. Na nossa opinião, parte da solução do problema das instituições políticas do Brasil passa pela adoção do FINANCIAMENTO PÚBLICO das campanhas eleitorais.

EM TEMPO: Depois do escândalo de Arruda, para tentar salvar sua imagem como partido ético e moderno, o DEMo poderia mudar de nome outra vez! Que tal PFL?

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De São Paulo-SP.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

É burro!

Segunda chance só existe em filme e novela. Em novela das seis, porque nem a das oito tem sido tão fantasiosa. Não existindo segunda chance, podemos dizer que José Roberto Arruda (DEMo) é um sujeito de muuuita sorte.

Para quem teve uma carreira política destroçada por causa daquela pilantragem no painel do Senado e precisou renunciar para não ser cassado em 2001, Arruda poderia ter se contentado com o mandato de Deputado Federal mais votado que conquistou nas eleições de 2002. Não se contentou e continuou sua volta por cima: ganhou a eleição para Governador do Distrito Federal.

Com 70% de popularidade, o que mais o Governador poderia desejar? Voar mais alto, lógico! Para quem quase foi cassado junto com o ACM, virar vice do Serra seria uma coroação. Poderia até perder a eleição, mas perderia em alto nível.

E o que fez Arruda? Envolveu-se em outra falcatrua! Se fosse um virgem nesse tipo de situação poderíamos pensar que ele caiu nessa por arrogância e que, por ter tanto poder e popularidade, achou-se inatingível. Mas, considerando que, em 2001 (quando ainda era tucano) ele quase teve sua carreira terminada de forma abrupta, não pode mais ser acusado de arrogância.

José Roberto Arruda é burro mesmo! Corrupto e burro!

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De São Paulo-SP.

FOTO: http://www.ailtonmedeiros.com.br/um-partido-que-e-do-capeta/2007/10/19/

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Análise de um factóide

Com manchete de capa, o jornalão O Estado de S. Paulo ataca a União Nacional dos Estudantes com graves acusações. Não é a primeira vez que a UNE sofre ataques do tipo, inclusive do Estadão. Basta lembrar que nos meses que antecederam ao Golpe de 64, o Estadão foi um dos mais encarniçados adversários da UNE. E as acusações eram exatamente com o mesmo teor!

Vejamos pontualmente o que diz a matéria:

“UNE é suspeita de fraudar convênios”. Falta uma informação nesta frase: QUEM suspeita da UNE? Após ler a matéria, não vemos ninguém assumir a suspeita, ou seja, quem suspeita da UNE é o próprio jornalista autor da matéria!

“Dados do Ministério da Cultura apontam irregularidades da União Nacional dos Estudantes em nove convênios”. Novamente falta uma informação. Dados não apontam, quem aponta é a pessoa que analisa os dados. E quem analisou estes dados? O Ministério Público Federal? Um analista do Ministério da Cultura? Uma Comissão Parlamentar de Inquérito? Não: “O repórter Leandro Colon analisou dois desses convênios”. Qual a qualificação técnica deste repórter para fazer tal análise?

“Pelo menos nove acordos firmados com a entidade, no valor de R$ 2,9 milhões, estariam em situação irregular”. Estariam ou estão? Quem determina se os acordos estão irregulares? Novamente é o repórter Leandro Colon.

“Aliada do governo, a União Nacional dos Estudantes (UNE) fraudou convênios, forjou orçamentos e não prestou contas de recursos públicos recebidos nos últimos dois anos”. Ao fazer tais acusações, podemos dizer que a UNE está sendo vítima de Calúnia (art. 138, do Código Penal) e Difamação (art. 139, do Código Penal).

Outras informações que faltam na matéria:

A reportagem não revela que os orçamentos das empresas irregulares não foram efetivados, ou seja, a UNE não firmou qualquer contrato com as empresas. Além disso, a responsabilidade pelas informações prestadas é da própria empresa.

A reportagem alega que os convênios da UNE estão com os prazos vencidos, mas não publica sequer uma única declaração de algum responsável do Ministério da Cultura. Ou seja, pode ser mais uma "suspeita" do jornalista do que um fato real.

Em 1964 ou em 2009, o jornal O Estado de S. Paulo continua agindo exatamente com as mesmas armas.

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De São Paulo-SP.

domingo, 29 de novembro de 2009

Má vontade

Existe certa má vontade da grande mídia com o Movimento Estudantil. Repórteres que nunca tiveram qualquer relação e pouco conhecem sobre o Movimento, simplesmente são destacados para escrever matérias e apresentam sua opinião como fatos verdadeiros e incontestáveis.

O 51º Congresso da UNE é um mega-evento que reuniu 10 mil estudantes de todo o Brasil para definir os rumos de uma entidade com mais de 70 anos e que esteve envolvida nos principais acontecimentos da história do Brasil. Foi solenemente ignorado pela imprensa: praticamente nenhuma matéria foi escrita para descrever a pauta do evento, seus debates educacionais, as bandeiras de luta da UNE em defesa dos estudantes etc. As poucas matérias sobre o Congresso da UNE foram para criticá-lo e dizer que a entidade é governista e ligada ao Governo Federal. Depois do Congresso, misteriosamente choveram reportagens sobre a UNE, quase todas negativas.

Se a imprensa dá pouca atenção ao Congresso da UNE, em geral sequer lembra-se da existência das eleições para o DCE da USP. Curiosamente essa semana um determinado jornal publicou matéria de meia-página com direito a foto e tudo mais. Porém, em vez de abordar o processo eleitoral como um todo, a reportagem era praticamente uma peça publicitária em apoio a uma das chapas concorrentes, exatamente a que se dizia descaradamente contra a greve dos professores e funcionários.

Ainda na semana passada, foi publicada uma matéria sobre a eleição do DCE da UFRGS, que foi vencida pela chapa de Direita ligada ao PSDB. Esse repentino interesse da imprensa paulista sobre o Movimento Estudantil gaúcho é bastante suspeito, ainda mais considerando que nunca publica matérias sobre manifestações estudantis contra a governadora tucana Yeda Cruzius.

No daí 17 de novembro, na capa de todos os jornais do Brasil foi publicada foto em que um grupo de parlamentares visita Cesare Battisti. Na foto junto com o grupo está André Vitral, o Diretor de Comunicação da UNE, mas que não é citado em absolutamente nenhuma legenda. Ou seja, a UNE é ignorada até mesmo quando sai na foto de capa dos jornais!

Diante disso, não deve ser sequer levada à sério a matéria de capa de hoje (29/11) do Estadão, atacando e acusando a UNE. Obviamente, as demais matérias sobre Movimento Estudantil só foram publicadas durante essa semana eram uma preparação para o ataque no domingo. É o PIG* em ação!

* Partido da Imprensa Golpista, segundo Paulo Henrique Amorim.

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De São Paulo-SP.

FOTO: José Cruz/ABr

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Quem é Mahmoud Ahmadinejad

O atual presidente do Irã é uma figura prá lá de polêmica. Sendo assim, para entender Mahmoud Ahmadinejad não há lugar para simplificações, afinal como poderia ser simples o cara que preside uma República Islâmica, ou seja, um país que tem toda a estrutura democrática liberal, porém está submetido aos rigores da lei islâmica

Mas enfim, quem diabos é Ahmadinejad?

Em primeiro lugar, desfaçam-se as ilusões esquerdistas: Mahmoud Ahmadinejad é um conservador. Ele não é um reformista que quer tornar o Irã menos rígido em suas normas comportamentais (quem tentou isso, sem sucesso, foi o ex-presidente, o Muhammad Khatami).

Não é um reformista, mas também não é um ditador (quem falou essa bobagem foi o Denis Lerrer Rosenfield, um dos maiores idiotas do Brasil). Ahmadinejad foi eleito democraticamente e não foi ele que impôs essas leis exageradas que obrigam as mulheres a andaram de véu. Além disso, o Irã tem instituições e separação de poderes como qualquer democracia. Diga-se de passagem, Ahmadinejad não é nem mesmo o cara mais poderoso do Irã, pois tem um Aiatolá que é o Líder Supremo da Revolução Islâmica.

O Presidente iraniano também não é um maluco que quer uma bomba atômica a qualquer custo. O Irã mantém um comportado programa nuclear para fins pacíficos, como muitos outros países do mundo, mas tem sofrido essas acusações porque os EUA gostam de espezinhar todo mundo que não pensa exatamente como eles. A propósito, mesmo que Ahmadinejad quisesse uma bomba atômica isso não faria dele maluco, afinal, depois de oito anos de Bush bombardeando e invadindo Afeganistãos e Iraques afora, nunca se sabe quando chega a vez do Irã (e não há sorriso de Obama que faça alguém esquecer o que houve nessa década). Se Israel tem armas nucleares, por que o Irã não poderia?

Por fim, para não deixar barato, fazemos questão de declaram que Mahmoud Ahmadinejad é um imbecil quando nega o holocausto judeu. Se ele tem um problema com Israel, deveria manter isso no eixo político, sem estender sua raiva para o âmbito anti-semita e teorias malucas que querem reescrever a História.

Resumidamente, podemos dizer que Mahmoud Ahmadinejad é um conservador e um imbecil, mas não é um ditador e muito menos um maluco. E, se para contrapor ao poder imperial dos Estados Unidos for necessária uma aliança com ele, por que não?

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De São Paulo-SP.

CHARGE: www.johncoxart.com/CARI.Ahmadinejad.gif

domingo, 22 de novembro de 2009

Crepúsculo: uma porcaria!

A série Harry Potter tem sua pequena mitologia, tem um enredo inteligente, tem personagens elaborados e um cenário interessante. É razoável que alguém goste.

A série Crepúsculo não respeita a mitologia já existente (dos vampiros), tem um enredo banal, personagens vazios e um cenário raso. Somente adolescentes emos podem gostar dessa porcaria. A propósito, na versão cinematográfica os atores são péssimos.

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De Cotia-SP.

sábado, 21 de novembro de 2009

SARESP: como simplificar um problema complexo

As equipes de professores cujos alunos tiverem as melhores notas no SARESP terão bônus nos salários. Como se o problema da educação pública em São Paulo fosse uma simples relação entre professor e aluno.

Com o bônus, as escolas que já são melhores vão continuar melhores, pois passarão a atrair os melhores professores. Os melhores professores, alguns dos quais preferem dedicar sua carreira a lecionar nas piores escolas, por uma questão monetária vão abandoná-las e pedir transferência para as melhores escolas. E as piores escolas vão ficar piores ainda, enquanto as melhores vão ficar melhores ainda.

E o abismo vai aumentar...

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De Cotia-SP.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O Julgamento de Battisti

Nossa opinião com relação ao caso da extradição de Cesari Battisti, acompanhará humildemente o seguinte trecho do parecer do ilustre jurista professor Celso Antônio Bandeira de Mello:

"Sucede, todavia, que esta foi apenas uma dentre muitas manifestações expressivas de um estado de espírito destemperado e flagrantemente desproporcional em relação ao caso CESARE BATTISTI.
"Com efeito, o ex-Presidente da República Italiana FRANCESCO COSSIGA afirmou que "o Ministro da Justiça do Brasil disse umas cretinices" e que o Presidente LULA era do tipo chamado na Itália de "cato-comunista". O Vice-Prefeito de Milão propôs um boicote aos produtos brasileiros "como forma de pressionar o Brasil a reconsiderar a decisão" de refúgio a CESARE BATTISTI. O Vice Presidente de Relações Exteriores do Senado da Itália, Senador SERGIO DIVINA defendeu o "boicote turístico ao Brasil". O Ministro da Defesa IGNAZIO LA RUSSA declarou que a decisão "coloca em risco a amizade entre a Itália e o Brasil", ameaçou "se acorrentar à porta da embaixada brasileira em Roma" e saiu à frente de uma passeata de protesto em Milão contra o refúgio a CESARE BATTISTI. Aliás, o próprio presidente do Conselho de Ministros Italiano, ROMANO PRODI, enviou carta pessoal ao presidente LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA, encarecendo a importância 'para o Governo e a opinião pública da ltália que a extradição fosse deferida pelo Supremo Tribunal Federal.
"Será que isto ocorreria se estivesse em pauta um crime comum ?"

Para o governo Silvio Berlusconi, atolado em escândalos, a extradição de Battisti é mais um factóide.

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De Cotia-SP.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Rodoanel

Na época do buraco do Metrô, que matou sete pessoas e interditou 55 imóveis, o candidato presidencial tucano José Serra (que nas horas vagas é Governador de São Paulo) fingiu que não era com ele e que não tinha nenhuma relação com o governo anterior, de Geraldo Alckmin do mesmíssimo PSDB... Até hoje ninguém foi punido pela tragédia e as empresas envolvidas continuam ganhando rios de dinheiro em contratos com o Governo do Estado.

Será que agora, com o acidente do Rodoanel, José Serra vai assumir sua responsabilidade?

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De São Paulo-SP.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

FHC e Renan Calheiros

Após 18 anos o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) assume o filho adulterino que teve com a jornalista Miriam Dutra, da Rede Globo. A notícia em si deveria ter pouca relevância, já que se trata da vida privada deste político, mas como estamos no Brasil o fato merece ser comentado para mostrar algumas incongruências de parte da mídia.

Na verdade, o fato em si não comentaremos, mas sim seu tratamento. Recentemente houve uma enorme pressão que resultou na renúncia do Presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), porque este teve um filho adulterino com uma jornalista e não soube justificar como lhe pagava a pensão.

Sobre o filho de FHC, pouco interessa aos Brasileiros, mas dos jornalistas se espera os mesmos questionamentos levantados contra Renan. FHC pagou pensão ao filho? Quanto pagou? Como pagou? Teria incorrido em situação similar a de Renan Calheiros?

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De São Paulo-SP.

domingo, 15 de novembro de 2009

15º Congresso da UPES

Entre os dias 14 e 15 de novembro, foi realizado na cidade de São Carlos o 15º Congresso da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES). O Congresso da UPES é o momento máximo dos estudantes do Ensino Básico Paulista. Ocasião em que definiram, coletivamente, sua plataforma de lutas e reivindicações para o período subseqüente de dois anos. Este também é o momento em que foi eleita a Diretoria para a entidade pelo mesmo período. Do Congresso participaram em torno de 750 estudantes e lideranças de cidades de todo o estado de São Paulo. Foi eleito presidente, com 80% dos votos, o estudante Tarcísio Boaventura da chapa “São Paulo unida pelo Brasil”. Todo o Congresso foi dirigido pessoalmente por Arthur Diego Herculano, que presidiu a UPES no período 2007-2009. Arthur foi tão exitoso na tarefa que é um dos nomes favoritos para o cargo de Presidente da UBES, a entidade nacional.

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De São Paulo-SP.

sábado, 14 de novembro de 2009

Ainda os Ficha-Sujas

Tramita no Congresso Nacional o projeto de lei (de iniciativa popular) que torna inelegíveis os candidatos que tiverem sido denunciados por alguns crimes. Caso seja aprovado, será um enorme retrocesso na jovem Democracia Brasileira, pois qualquer cidadão deve ser considerado inocente até ter sentença condenatória transitada em julgado (Art. 5º, LVII, da Constituição Federal de 1988) e, sendo assim, este projeto de lei estará cerceando a participação política plena de cidadãos inocentes. O direito de impedir os políticos corruptos de atuarem na política deve ser exercido pelo eleitor, não pelo órgão judicial que receber uma denúncia.

Um dos argumentos mais utilizados pelos defensores deste projeto de lei é que até para conseguir emprego alguns cidadãos devem apresentar atestado de bons antecedentes. Outro absurdo, pois se o cidadão não está preso (ou foragido) ele deve ter o tratamento de inocente. E se ele foi condenado e cumpriu sua pena, também deve ser tratado como cidadão honesto que pagou o que devia à sociedade. Se ninguém conceder emprego aos ex-presos, podem ter certeza que os ex-detentos lançarão mão de atividades criminosas para poderem sobreviver.

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De São Paulo-SP.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A USP tá fodida!

Com perdão do termo, não existe frase que exemplifique melhor a escolha do novo Reitor da USP.

Na mais importante universidade Brasileira ainda vigora um sistema exageradamente autoritário de gestão em que a comunidade universitária é excluída das decisões. Todas as decisões da Universidade de São Paulo estão a cargo do Conselho Universitário e dos quatro Conselhos Centrais, dos quais os estudantes e funcionários têm uma ínfima participação. Estes Conselhos que votam para Reitor, em detrimento de todo o resto da Universidade. Votam, mas não decidem, já que os três candidatos mais votados são encaminhados em uma lista tríplice para escolha do Governador.

A maioria dos Governadores respeita a decisão dos Conselhos (também, não tem com o que se preocupar de colegiados tão bem comportados...). Os únicos governadores que optaram por nomear para Reitor um candidato que não obteve a maioria dos votos foram Paulo Maluf em 1981 e José Serra em 2009.

Não contente em a USP ter um sistema arcaico de gestão, além do fato do Reitor ser indicado por um grupo seleto de eleitores e depois ser escolhido a partir de uma lista tríplice por uma pessoa externa à comunidade universitária, como se não bastasse o Governador ter indicado um dos candidatos menos votados, o professor escolhido para ser o novo Reitor da USP foi exatamente a pior das opções. O pior do pior cenário. Enfim, a USP tá fodida!

João Grandino Rodas, diretor da Faculdade de Direito, é um neoliberal na ideologia e um fascista na prática. Ele é famoso pelo comportamento inadequado quando presidia o CADE e por ter solicitado à intervenção da Polícia Militar para retirar estudantes que ocupavam simbolicamente a Faculdade de Direito. Nesta ocasião, Rodas era diretor da Faculdade e havia se comprometido pessoalmente em NÃO CHAMAR A PM desde que os manifestantes desocupassem a Faculdade ao amanhecer. Rodas não cumpriu o acordo e durante a madrugada a Força Tática invadiu a Faculdade e prendeu todos os estudantes. Posteriormente, João Grandino Rodas atuou diretamente na articulação de uma tentativa de impedimento da diretoria do Centro Acadêmico XI de Agôsto, intervindo diretamente no Movimento Estudantil.

No blog do Luis Nassif, foi publicado um interessante artigo de João Vergílio G. Cuter. Apesar de ser bastante conservador, João Vergílio G. Cuter acerta na mosca na motivação de Serra na hora de escolher Rodas como novo Reitor. Ele diz textualmente: A escolha do governador José Serra levou em conta um único dado: o enfrentamento da greve de estudantes, professores e funcionários da USP no ano que vem. O ano que vem, como todos sabemos, é o ano eleitoral em que José Serra deixa de fingir que é Governador de São Paulo e assume oficialmente sua candidatura a Presidente. Tomara que em 2009 os estudantes, professores e funcionários da USP ajudem a derrotar Rodas e a candidatura de José Serra.

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De São Carlos-SP.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Apagão

Com o Apagão da última semana muitos debates foram retomados. Em geral, foram retomados apenas para definir de quem é a culpa. A oposição (que é o governo anterior) insiste que o Apagão dessa semana é igual ao apagão de 1999. O atual Governo (que era oposição no anterior) faz questão de dizer que a situação é completamente diferente e que este Apagão foi causado por um acidente.

Independente da culpa, é assustador saber que o sistema elétrico do Brasil pode ser facilmente retirado da tomada, apagando as luzes dos principais estados, paralisando a telefonia e os sistemas de telecomunicação e até mesmo o abastecimento de água. Basta um grupo militar de elite altamente treinado (estilo Comando Delta) fazer uma investida fulminante para ocupar Itaipu e o Brasil fica totalmente desprotegido. Basta um hacker decidir invadir o sistema e o País entra em convulsão.

Diante disso, o debate que deveria ser retomado foi o de entregar os sistemas de infra-estrutura nas mãos de empresas estrangeiras. Na época das privatizações muito se falou sobre o risco que isso poderia acarretar para a segurança nacional, o apagão dessa semana é a prova cabal de que o risco era real.

E a culpa? A culpa é do Governo FHC que entregou tudo e do Governo Lula que não retomou.

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De São Paulo-SP.

domingo, 8 de novembro de 2009

ENADE, pontos positivos e negativos

Neste domingo (08 de novembro), os ingressantes e concluintes de alguns cursos selecionados pelo Ministério da Educação (MEC) tiveram que fazer o Exame Nacional de Cursos, o ENADE. Trata-se de uma prova que avalia o desempenho dos estudantes nos referidos cursos. Teoricamente, o ENADE é parte integrante do SINAES – Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior, ou seja, é um dos critérios que avalia as Instituições de Ensino - os outros seriam o corpo docente (formação acadêmica, jornada e condições de trabalho) a infra-estrutura da instituição (instalações físicas, biblioteca, salas de aula, laboratórios) e programa pedagógico.

As principais críticas ao ENADE são:

  • O peso da avaliação sobre o estudante deveria ser relativizado no cálculo geral do SINAES;
  • A prova é obrigatória e quem não fizer não tem o diploma validado; e
  • A nota do ENADE acaba sendo utilizada para ranquear universidades com intenções mercadológicas.

Por outro lado, quem fez o ENADE pôde observar que a prova academicamente era muito bem elaborada e continha conteúdo crítico e reflexivo. Além disso, foram incorporadas questões de avaliação das Instituições e do próprio ENADE. Em suma, com relação ao conteúdo o ENADE esteve de parabéns.

O ENADE também sofreu críticas de um setor supostamente de Esquerda, que são contra os critérios “mercadológicos” do exame. Este setor obviamente não leu as provas. O que pretendem eles? Que as universidades não sejam avaliadas? Será que eles não percebem que o neoliberalismo na educação reside exatamente na falta de fiscalização e avaliação?

A avaliação dos cursos da Educação Superior é uma obrigação do MEC e o desempenho dos estudantes é parte integrante de qualquer exame com o mínimo de seriedade. O resultado da avaliação deveria acarretar em sansões contra os cursos e instituições mal-avaliados, com redução de vagas ou até mesmo fechamento dos cursos, pois essa é a única maneira do MEC garantir que os estudantes não sejam lesados por instituições picaretas. Infelizmente, algumas universidades utilizam seus resultados favoráveis com finalidades meramente financeiras, mas este com certeza é um preço pequeno a se pegar por um benefício muito maior que é a separação do joio do trigo.

Cabe ao MEC fazer uma ampla campanha de explicação sobre o SINAES, o ENADE e sua importância, pois muitos estudantes desinformados podem ter se sentido desestimulados a fazer a prova ou caído no canto da sereia da “turma que sempre torce contra”.

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De São Carlos-SP.

sábado, 7 de novembro de 2009

Em defesa do ambiente escolar...

Até hoje, existe gente que justifica um estupro como “causado” pela vítima. Segundo essas pessoas, a mulher estuprada teria provocado o agressor, através de gestos ou roupas inadequadas. É um pensamento assustador, mas ainda muito corrente em nossa sociedade machista, retrógrada e atrasada.

No entanto, muito mais assustador é o uso dessa justificativa por uma instituição de ensino para expulsar uma aluna que foi submetida a um violento assédio moral por centenas de estudantes universitários.

O assunto já foi exaustivamente tratado por colunistas e comentaristas, então vamos nos reservar a examinar a seguinte frase publicada no anuncio da expulsão divulgado pela UNIBAN:

“a atitude provocativa da aluna resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar”.

“A atitude provocativa da aluna” – A culpa é da vítima, assim como no caso de estupro.

“Reação coletiva de defesa do ambiente escolar” – Uma turba ensandecida (como nem nos piores dias das torcidas de futebol) brada repetidas vezes “puta!” contra uma colega. Tudo em defesa do ambiente escolar...

Talvez a culpa seja da estudante e de seu vestido curto. Talvez a culpa seja dos estudantes que agem como manada em vez de raciocinarem por si só. Porém, uma instituição que publica uma frase como essa CERTAMENTE não tem condições de ser considerada um estabelecimento de ensino. Em defesa da Educação, o MEC deveria cassar a licença de funcionamento da UNIBAN.

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De São Paulo-SP.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Alguma coisa está fora da ordem

O “intelectual” Caetano Veloso abusou de toda sua grosseria para xingar o Presidente Lula e envergonhar a Senadora Marina Silva (PV-AC). Ao dizer que Marina não é analfabeta como o Lula que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro, Caetano ignora que Marina tem uma história de vida tão batalhadora quanto a de Lula e que só foi alfabetizada aos 16 anos. Além disso, a opinião de Caetano de que Lula “não sabe falar” é bastante questionável, visto que poucos presidentes da história do País foram tão bem sucedidos em se comunicar com o Povo Brasileiro.

Não é a primeira vez que Caetano se alia ao lado errado, já que o cantor sempre foi um grande amigo e apoiador de Antonio Carlos Magalhães, o coronel que melhor representava o lado mais atrasado e retrógrado da política Brasileira.

Que Marina Silva tome cuidado com as companhias!

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De São Carlos-SP.

domingo, 1 de novembro de 2009

Quanta Gentileza

Neste sábado compareci ao Cinemark do Shopping Metrô Santa Cruz para assistir o filme “Bastardos Inglórios” na sessão das 18h30. De maneira bastante arbitrária, a atendente me informou que não aceitaria minha carteirinha para venda de meia-entrada. Expliquei para ela que existe uma lei que garante ao estudante portador da carteirinha da UNE a compra do ingresso pela meia-entrada. Ela insistiu que não iria vender, pois não conseguia ler o selo com a data de validade e eu insisti que aquele selo era oficial da SPTrans e que se havia um selo, mesmo que difícil de ler, ele era a prova de que minha carterinha é válida até março do ano que vem. Ela respondeu que teria que falar com o gerente, mas só se apressou em chamá-lo quando eu me recusei a liberar a fila para os demais clientes (se eu tivesse gentilmente saído, provavelmente ainda estaria aguardando a presença do ilustre gerente e teria perdido a sessão). Finalmente o gerente apareceu e garantiu a venda do ingresso pela meia-entrada conforme DETERMINA a Lei Estadual 7.844/92. Por fim, ele disse que estava abrindo uma exceção e me sugeriu que fosse à SPTrans trocar o selo. Eu irei, mas somente em março de 2010 quando acabar a validade da carteira. Até lá, continuarei a comprar meia-entrada com minha carteira da UNE emitida pela SPTrans e com validade. Imagino que esse tipo de atitude arbitrária seja muito comum e que grande parte dos estudantes acaba por abrir mão de seu direito à meia-entrada devido à pressão dos cinemas.

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De São Paulo-SP.

sábado, 17 de outubro de 2009

Retomando um velho debate

A voz do Povo é a voz de deus, mas ninguém precisa abrir mão de suas opiniões por conta disso. Mais dia, menos dia a questão do desarmamento poderá ser retomada. O desarmamento foi derrotado no referendo de 2005 por erro da campanha, já que tal opinião continua sendo muito mais forte quanto aos argumentos.

A campanha do SIM (pelo desarmamento) foi arrogante e pretensiosa, embalada no clima de “já ganhou”. Em vez de argumentar racionalmente os benefícios que traria, preferiu colocar um monte de atores globais para falar sobre assuntos genéricos. O Povo se sentiu enganado, pois o desarmamento, ao contrário do que a Campanha do Sim deu a entender, não é a solução da violência, da criminalidade e dos homicídios. Além disso, a parcela da Direita (PSDB, por exemplo) que apoiava a campanha do desarmamento acabou não jogando pelo por medo de perder o apoio de seu eleitorado conservador. Enfim, o referendo foi derrotado e o Brasil continua sendo uma espécie de Velho Oeste.

O argumento favorável às armas que teve maior apelo na população foi o direito de se defender. Se a violência usa armas, então o cidadão deveria ter armas para se defender. Uma bobagem comprovada por estatísticas. Mas o argumento pegou...

Enquanto não houver outro referendo, temos que aceitar a opinião vencedora, mas isso não nos impede de apresentar alternativas. Uma delas seria a substituição das munições de chumbo para munições de borracha. As balas de borracha garantem a autodefesa do cidadão, porém preservam a vida. Trata-se de um excelente meio termo que evitaria tantas mortes em brigas de trânsito, brigas de bar e acidentes. Homicídios dolosos ainda existirão, seja com armas brancas ou outros tipos, mas outros casos de morte seriam evitados.

O argumento de que a criminalidade utiliza armas contrabandeadas também fica abalado, já que para o criminoso, tanto faz se a munição mata ou apenas fere gravemente, já que ela é usada para ameaça ou proteção. O mesmo vale para a polícia, que deve ter armas que possibilitem seu uso para coibir crimes e autodefesa, mas não para tirar vidas dos cidadãos. Se no Brasil cessar a venda de munições convencionais, certamente muitas mortes bestas serão evitadas. A violência continuará, já que sua causa não são as armas. Mas será uma violência com menos mortes, e isso já seria um mérito.

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De São Paulo-SP.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O Velho Chico

O Governo Lula tem muitos méritos e será lembrado na História por várias de suas conquistas. Tais como a redução das desigualdades sociais, o desenvolvimento econômico soberano, o reposicionamento do Brasil no cenário internacional, a conquista da sede das Olimpíadas e da Copa do Mundo.

Apesar muitos méritos (isso é inegável), são todas questões passageiras ou facilmente reversíveis. Basta que o Brasil passe um período de quatro anos governado por outra linha política e tudo isso pode ir ladeira abaixo. E a crítica disso não é dirigida à oposição, mas ao próprio Presidente que optou por ações paliativas e imediatas em vez de ações mais estruturantes e definitivas.

No entanto, existe uma ação sendo realizada por Lula que é estruturante e, numa perspectiva histórica, provavelmente será lembrada como a principal marca de seu Governo. É a Transposição do Rio São Francisco.

Desde que o Brasil é Brasil, quando alguém lembra da Região Nordeste, imediatamente pensa em um sertão seco e semi-árido, que expulsa sazonalmente grupos de retirantes. Pessoas que deixam tudo para trás e se deslocam a outros estados da Federação, longe de suas famílias, onde na maior parte das vezes são mal recebidos, descriminados, acabam subempregados, morando em situação de risco, mas pelo menos não morrem de fome.

Euclides da Cunha, Graciliano Ramos, Rachel de Queirós, Jorge Amado, Guimarães Rosa, José Lins do Rego. São inúmeros os escritores e romancistas que retrataram esse drama nordestino. Inúmeros também foram os governos e as soluções que foram apresentadas para resolver a situação da seca. Nenhum deles obteve sucesso.

A transposição do Rio São Francisco é uma obra magistral, proposta desde Dom Pedro II, que será a primeira ação concreta da resolução da seca no Nordeste. Depois de concretizada, a transposição será tão assimilada pelos Brasileiros que, num futuro próximo, as pessoas não vão sequer imaginar como era possível que o País não a tivesse realizado antes.

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De São Paulo-SP.

IMAGEM: Nota Técnica n.º 390 / 2005 / SOC – ANA

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Roubo da prova do ENEM

O fato mais grave relacionado ao roubo da prova do ENEM não foi o ato em si, mas os ataques a que a prova tem sido submetida após ele. Cinco das principais universidades paulistas não usarão a nota do ENEM para compor a nota dos vestibulandos (PUC-SP, USP, UNICAMP, Mackenzie e PUC-CAMP). Bem quando o ENEM se propõe a servir como padrão nacional de ingresso aos cursos superiores. O boicote é mais grave que o roubo da prova.

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De São Paulo-SP.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

IR: atraso na restituição

É feito grande alarde sobre o atraso na restituição do Imposto de Renda. Esse alarde é uma idiotice!

No entanto, o Governo erra ao atrasar propositalmente a restituição de um dinheiro que recolheu indevidamente, pois, se nesse caso o atraso tem um motivo legítimo, tal ato pode justificar ações futuras sem legitimidade alguma. Se analisarmos o atraso como ato específico, de fato não há nada de mais, já que os benefícios que ele agrega são muito maiores do que os malefícios aos individuais. Porém, se analisarmos o atraso no contexto político-histórico do Brasil, fica claro que no futuro ele poderá ser usado para fins muito diversos...

Apenas retomando: ainda sim o grande alarde é uma idiotice dos que não tem o que criticar.

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De São Paulo-SP.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Nobel da Paz? Faça por merecer

Apesar de ridícula, a concessão do Prêmio Nobel da Paz para Barack Obama pode ter pontos positivos. Quem sabe, agora que foi agraciado, o Presidente americano não aproveita para rever sua política militar no Afeganistão, no Iraque e na America do Sul. Terminar as ações militares nessas regiões seria um gesto digno de um Prêmio Nobel da Paz...

Em tempo: a piada que circula por ai é que Obama ganhou o Nobel da Paz porque afastou simultaneamente Bush e Sarah Palin da Casa Branca! E o mundo agradece!

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De São Paulo-SP.

domingo, 11 de outubro de 2009

Indignação seletiva

O alvo novamente é o MST, demonizado pela ocupação da fazenda da Cutrale em Iaras-SP. Da Cutrale? Não, são terras da União que foram GRILADAS pela Cutrale, esta pobre empresa. Isso mesmo, a Cutrale que é a invasora!

A indignação é seletiva, pois ninguém critica quando a Cutrale invade. Desde quando a Cutrale precisa invadir alguma coisa? É uma empresa milionária, por que não compra terras? Quando é o MST invade, todos bradam e denunciam. Mas os lavradores sem-terra, ao contrário da Cutrale, não têm dinheiro para comprar terras, ou seja, têm legitimidade para tal ato.

O Brasil possui uma elite tão atrasada, retrograda e submissa, que a bandeira da Reforma Agrária em nosso País consegue ser REVOLUCIONÁRIA, quando na America do Norte e na Europa, a Reforma Agrária foi um dos impulsionadores do capitalismo. Talvez por isso estes países sejam desenvolvidos e o nosso esteja eternamente “em desenvolvimento” (eufemismo para referir-se a um país SUBDESENVOLVIDO).

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De São Paulo-SP.

sábado, 10 de outubro de 2009

Piada do ano!

A concessão do Prêmio Nobel da Paz para Barack Obama foi coerente. Ele aumentou as tropas no Afeganistão, manteve a ocupação do Iraque e está instalando bases militares na Colômbia, coisas típicas de pacifistas...

Mas o que dizer de um prêmio que foi concedido à Henry Kissinger, Lech Walesa, Dalai Lama e Mikhail Gorbachev?

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De São Paulo-SP.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

VENTILADOR 09-02


VENTILADOR 09-01





Parada técnica

O Blog anda meio devagar por causa das eleições do Centro Acadêmico "22 de Agosto", da Faculdade de Direito da PUC-SP.

Publicaremos aqui algumas edições do Jornal VENTILADOR conforme forem saindo.

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De São Paulo-SP.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Aos críticos dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro

Primeiro eles torceram contra, disseram que o Rio não seria eleito porque é violento, não tem infra-estrutura adequada, que o transporte público é insuficiente etc.

Depois que o Rio foi eleito, em vez de se retratarem, os críticos das Olimpíadas passaram a argumentar que não vai dar certo “como não deu o Pan”. Um argumento bastante curioso, já que a realização dos Jogos Pan-Americanos foi exatamente um dos elementos que fortaleceram a escolha do Rio de Janeiro. Tudo porque fora do Brasil a avalanche de acusações de corrupção, superfaturamento, demora em entrega das obras, elefante-branco, entre outras, não foi levadas à sério. Isso não significa que não devamos levar à sério esse tipo de acusação, mas é um sintoma de que as críticas ao Pan são internas e o resto do mundo (pelo menos da America) adorou o evento.

Outra crítica bastante ventilada após a escolha do Rio foi sobre os custos de organizar uma Olimpíada. Comparações com Montreal e seus 30 anos para pagar foram feitas aos borbotões. Uma besteira, pois até Miriam Leitão (uma das economistas que mais torcem contra o Brasil) reconhece que 97% dos gastos governamentais retornarão por via de tributação.

Eis que a torcida do contra diz que o Brasil teria coisa melhor para fazer com o dinheiro a ser investido. De fato teria, mas o que a prática nos mostra é que não será. Sendo assim, as Olimpíadas são uma oportunidade de ouro para fazer investimentos na reestruturação da mais famosa cidade Brasileira. Barcelona foi absolutamente reformulada (para melhor) nas Olimpíadas e é um bom exemplo para o Rio de Janeiro se mirar e corrigir todos aqueles problemas que a cidade tem (e os críticos fazem questão de lembrar).

Por fim, considerando que o Rio de Janeiro é uma cidade turística e cuja economia é baseada no setor de serviços, a tendência é que as Olimpíadas sejam um grande sucesso e que tal sucesso fortaleça ainda mais o Rio.

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De São Paulo-SP.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Fique atento, Ciro

Paulo Skaf (Presidente da FIESP), Gabriel Chalita (queridinho do Alckmin) e Suely Vilela (Reitora da USP que mandou a tropa de choque pra cima dos estudantes). Todos recém-filiados ao PSB.

Se continuar assim não vai sobrar espaço para os Socialistas no partido...

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De São Paulo-SP.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O Judiciário também tem ficha suja

Chegou ao Congresso a proposta de proibição a candidatura de cidadãos com condenação em primeira instância. Trata-se de uma lei anti-democrática já que, até julgado o último recurso, o cidadão deve ser considerado inocente. Além disso, com a porcaria de Poder Judiciário que temos, sendo aprovada essa lei haverá uma avalanche de condenações injustas contra candidatos honestos, afinal é mais fácil ganhar sem adversário...

Melhor seria um projeto de lei que divulgasse a ficha de todos os candidatos e que o eleitor fizesse a decisão de eleger ou não.

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De São Paulo-SP.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Que venham as Olimpíadas!

O Ministro dos Esportes, Orlando Silva, está animado! Ele está confiante de que no dia 02 de outubro o Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciará a cidade do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. O Rio de Janeiro está bem cotado inclusive por reportagens na mídia internacional e pelo desempenho nos Jogos Pan-americanos (que fora do Brasil só receberam elogios). Se a indicação ocorrer será a consagração de Orlando, que também foi o responsável pela indicação do Brasil como sede da Copa do Mundo de Futebol.

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De São Paulo-SP.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Da série “Mentiras que contam por ai”: Honduras Parte 3

Mentira número 3: O Itamaraty errou ao deixar Zelaya se abrigar na Embaixada

Seria muito mais cômodo para o Brasil ficar deitado em berço esplêndido e fugir da confusão em Honduras, mas para um país que quer ser membro do Conselho de Segurança da ONU, o mínimo que se espera é protagonismo na sua região. E foi exatamente isso que aconteceu.

O governo golpista de Honduras não é reconhecido pelo Brasil, nem pelos EUA, nem pela OEA e nem pela ONU, ou seja, não tem legitimidade*. Honduras está sob severa lei marcial, com toque de recolher e repressão violenta sobre qualquer protesto contra o governo golpista: se Zelaya for pego por eles numa situação como essa, obviamente não terá um tratamento justo. Considerando que ele é o Presidente legítimo de Honduras, o Brasil esta corretíssimo em conceder abrigo.

Se demais países do mundo tivessem assumido posturas corajosas como essa durante a história não teriam ocorrido tantos golpes e quarteladas para impedir o povo de gerir seu próprio destino. Dentro do Brasil os principais críticos da atuação do Itamaraty são exatamente os que querem que continuemos um país submisso e sem projeção.

* Artículo 3. Nadie debe obediencia a un gobierno usurpador ni a quienes asuman funciones o empleos públicos por la fuerza de las armas o usando medios o procedimientos que quebranten o desconozcan lo que esta Constitución y las leyes establecen. Los actos verificados por tales autoridades son nulos. El pueblo tiene derecho a recurrir a la insurrección en defensa del orden constitucional.

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De São Paulo-SP.

domingo, 27 de setembro de 2009

Da série “Mentiras que contam por ai”: Honduras Parte 2

Mentira número 2: Manuel Zelaya queria mudar a Constituição para se reeleger

A versão mentirosa repetida a quatro ventos é que a Suprema Corte hondurenha “impediu” o Presidente Manuel Zelaya porque ele pretendia ilegalmente mudar a constituição para se reeleger. Mentira deslavada!

Primeiro porque a consulta popular a ser realizada tinha caráter meramente consultivo e a proposta de convocação da Assembléia Constituinte seria feita posteriormente via projeto de lei de autoria do Poder Executivo.

Segundo porque a cédula proposta por Zelaya continha a seguinte pergunta: ¿ESTA USTED DE ACUERDO QUE EN LAS ELECCIONES GENERALES DE NOVIEMBRE 2009, SE INSTALE UNA CUARTA URNA PARA DECIDIR SOBRE LA CONVOCATORIA A UNA ASAMBLEA NACIONAL CONSTITUYENTE QUE APRUEBE UNA NUEVA CONSTITUCION POLITICA? ("Você está de acordo que, nas eleições gerais de novembro de 2009, se instale uma quarta urna para decidir sobre a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte, que aprove uma nova Constituição política?"). Em nenhum lugar fala sobre reeleição ou coisa do tipo, mesmo porque a proposta de convocação da Assembléia seria votada durante a eleição presidencial em que estaria sendo escolhido o sucessor de Zelaya. Ou seja, não haveria como propor a reeleição de Zelaya uma vez que ele não seria mais presidente.

Terceiro porque o Artigo 5º da Constituição hondurenha prevê expressamente a realização de plebiscitos populares. Em todo caso, o plebiscito de Zelaya era meramente consultivo.

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De São Paulo-SP.

sábado, 26 de setembro de 2009

Da série “Mentiras que contam por ai”: Honduras Parte 1

Mentira número 1: Não houve golpe em Honduras

Dizia Joseph Goebbels que uma mentira contada muitas vezes se tornava verdade. E de mentiras ele entendia, já que era o Ministro da Propaganda da Alemanha Nazista. Esse rolo de Honduras, desde a deposição do Presidente Manuel Zelaya, se tornou uma das mais evidentes provas de que a teoria de Goebbels é verdadeira...

Quando Zelaya foi deposto, a direita no Brasil vacilou um pouco em declarar seu apoio aos golpistas, o que pegaria muito mal, já que até o Departamento de Estado Norte-Americano criticou a deposição. Com o passar do tempo, a direita foi saindo do armário e começou a criar uma tese de que a deposição de Zelaya não teria sido golpe, já que o Exército estava apenas obedecendo a uma ordem da Suprema Corte de Honduras. Teve uma colunista de rádio que chegou ao ridículo de declarar que se não tivessem mandado Zelaya de pijamas para o exílio, estaria tudo conforme a Constituição hondurenha...

Em qualquer lugar do mundo chama-se golpe o ato de retirar do poder o Presidente eleito pelo povo sem o devido processo legal. Se quem comete o ato de deposição é o Exército, então o nome disse é Golpe Militar.

O argumento (falso) em defesa da tese de que não houve golpe é que a Constituição de Honduras é omissa sobre o afastamento do Presidente, então coube à Suprema Corte decidir. Se a Constituição é omissa sobre o afastamento, certamente ela não é sobre o devido processo legal, com direito ao contraditório e ampla defesa (art. 82 e 90).

Que ninguém se engane: em Honduras houve um Golpe Militar do qual participou a Suprema Corte.

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De São Paulo-SP.