O Senador Aloísio Mercadante (PT-SP) executou uma manobra política elaborada meticulosamente. Agiu com racionalismo, mas pensou nele e apenas nele. A crise do Senado e as denúncias contra José Sarney (PMDB-AP) colocaram o PT numa situação difícil: o partido tinha que optar entre agradar a opinião pública alimentada pela mídia apoiando a cassação de Sarney, ou fortalecer a articulação política capitaneada pelo Presidente Lula de atrair o PMDB para a base de apoio da Ministra Dilma Rousseff. O jogo político parece simples, mas é exercido em diferentes níveis e através de múltiplas frentes. Racionalmente, o PT tomou a decisão mais acertada em seu projeto de poder e apoiou Sarney, fortalecendo as chances de se manter na cabeça do Governo Federal. Porém, Mercadante é um político com votação oriunda da classe média urbana paulista e precisa enfrentar sua reeleição no ano que vem. A base eleitoral de Mercadante não ficaria satisfeita com a justificativa racional de apoio ao PMDB para fortalecer Dilma, uma vez que tal base tende a votar no candidato tucano José Serra (que nas horas vagas é Governador de São Paulo).
Diante de tal cenário, as opções de Mercadante eram bastante restritas. Se o Senador optasse por descumprir a determinação de Lula e do Partido, provavelmente não obteria legenda para se candidatar à reeleição, sendo substituído pela ex-Prefeita Marta Suplicy. Por outro lado, se participasse do realpolitik, Mercadante teria a legenda, mas teria sua reputação abalada e poderia arriscar perder a eleição. Por fim, o Senador tomou a atitude mais esperta e obedeceu ao partido (garantindo a legenda) e depois colocou o cargo de líder à disposição (fingindo-se envergonhado por apoiar Sarney). Resumindo, Mercadante disse que ia renunciar à liderança para tentar repactuar com sua base eleitoral. Foi uma jogada oportunista e egoísta, mas de mestre!
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De Cotia-SP.
FOTO: Pablo Valadares/AE
Eu fiquei chateado com a situação toda. Mídia ou não todo mundo sabe o que é o Sarney. Ficou muito claro que o pessoal tava votando pelo projeto de poder e não pelo que é certo. O Arthur Virgílio tinha que ter sido caçado também.
ResponderExcluirNão sei se o Mercadante se reelege agora, ficou um angu.
Márcio meu nobre amigo, tenho que salutar e parabenizar por tão bela explanação, perfeito, sem tirar, muito menos pôr.
ResponderExcluirSei que o grande sonho de Mercadante é o governo paulista, porém para ele um recordista de votos para o Senado, quem sabe assumir no futuro a cadeira de comandante do Congresso Nacional pode lhe dar mais projeção nacional.
Filho de militares, professor universitário de carreira na PUC-SP e UNICAMP, Mercadante jogou com a sorte, porém será o voto em outubro de 2010 que lhe dirá se está certo ou não.
Sorte ou azar que o brasileiro seja ele de classe média ou não tem memória curta!
Abraços,
Fernando Miguel.