quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Dever moral...

Nenhum astro do futebol deve ter “dever moral” com seu time de origem. O único dever do jogador com o time é aquele que constar do contrato. Afinal, nenhum time de futebol se sente obrigado a ter “dever moral” com os jogadores quando estes estão em uma fase ruim. De modo que, para os jogadores vale o mesmo raciocínio.

Muito diferente é a conduta antiética de alguns jogadores em fim de carreira na Europa, que tem feito de tudo para retornar ao Brasil. O primeiro mau exemplo é do Ronaldo Gordo, que passou as férias no SPA do Flamengo e, depois de usar as instalações para se recuperar de uma cirurgia no joelho, preferiu fechar o contrato para jogar no Corinthians. Débito moral é uma coisa, abuso de confiança é outra!

E agora, eis que o outro Ronaldo, o Gaúcho, vem fazer leilão entre os times para jogar no que pagar mais. É justo que o jogador queira ser valorizado, mas que o faça às claras sem fingimento e enrolação.

A prática antiética destes ex-grandes craques é lamentável, mas com certeza é inspirada na conduta dos cartolas.

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De São paulo-SP.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O Fim do Mundo como o conhecemos?

De tempos em tempos, os supostos especialistas em tecnologia anunciam o fim de alguma coisa. Com a evolução das redes sociais, o alvo tem sido o e-mail. Os argumentos são pífios: as redes sociais e os programas de comunicação como MSN, google talk e afins são mais diretos, rápidos e grande parte dos adolescentes de hoje pouco utilizam os e-mails.

Bobagem! O surgimento de uma nova tecnologia não necessariamente elimina outra. Até porque, o e-mail continuará existindo exatamente pelos motivos que são decretados para justificar seu fim. Diferente das redes sociais e do MSN, o e-mail é uma ferramenta formal de comunicação. Equivale a uma correspondência. E, vale dizer, quando o telefone foi criado, as cartas não deixaram de existir, apenas ficaram restritas a usos mais formais.

Em que pese existirem tecnologias mais diretas, o e-mail continuará sendo utilizado para comunicações formais. Ninguém vai enviar um memorando para a empresa através do facebook. Ninguém vai encaminhar um currículo de emprego através do MSN. Por outro lado, os estagiários vão deixar de usar o e-mail para fazer simples comentários do tipo “vamos almoçar daqui a pouco?”.

Não será o fim do e-mail, ele apenas ficará restrito a algumas funções que já detém.

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De São Paulo-SP.

Imagem retirada daqui.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Abertura da Copa: antes uma solução ruim do que nenhuma solução

Por Marcio TAQUARAL

O Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, pode ser criticado por muitas coisas: é conservador, pouco criativo, neoliberal e pensa pequeno. Por outro lado, somos obrigados a reconhecer que ele gosta de ser um administrador público. Nisso Alckmin é muito diferente do ex-governador José Serra. Enquanto Serra pensa apenas na política e usou a Prefeitura e o Governo do Estado apenas como trampolim para aspirações maiores, sem nunca se preocupar de fato com a solução dos problemas que afligem a população governada, Alckmin gosta de governar e, consequentemente, busca soluções para os problemas do Estado de São Paulo. Em geral, o Governador Alckmin busca soluções reacionárias e medíocres, mas pelo menos tenta resolver o problema, bem diferente do antecessor.

Na questão da Copa, a apatia do ex-Governador Serra foi gravíssima! Era dado como certo que a abertura da Copa do Mundo de 2014 ocorresse na maior cidade do Brasil. E o natural é que tal partida fosse disputada naquele que é o maior estádio de São Paulo e um dos maiores do mundo: o Estádio do Morumbi. Ocorre que o Morumbi pertence ao São Paulo Futebol Clube, time cujo presidente é o líder da oposição na CBF. Por causa disso, o “dono” da CBF, sr. Ricardo Teixeira, tem feito o possível e o impossível para impedir que a abertura da Copa ocorra no Morumbi.

A princípio, seria apenas uma disputa entre cartolas. O problema é que não existem alternativas viáveis ao Morumbi, ou seja, quando a FIFA descarta este estádio, na prática é a cidade de São Paulo que está deixando de ser sede da abertura da Copa. (o único estádio do Corinthians ainda é a Fazendinha, o resto são sonhos que já duram 100 anos...)

Numa situação como essa, o mínimo que se esperava é que o Governador do Estado e o Prefeito da Capital se manifestassem com celeridade para evitar tal catástrofe. Mas o que Serra fez? Se omitiu! Como sempre. O ex-Governador ficou calado tal qual um túmulo, fingindo que o problema não era com ele e só veio a se manifestar quando a crise já estava instalada e, diga-se de passagem, após manifestação do então Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Serra queria ser Governador, mas nunca quis governar São Paulo: queria o cargo, mas não o encargo. Só entendeu que o assunto da Copa era sério quando o Presidente da República entrou na jogada.

Em que pese todas as críticas ao atual Governador Geraldo Alckmin, é merecedora de elogios sua prontidão em entrar na briga na defesa da abertura da Copa na cidade de São Paulo. Em vez de ficar esperando a crise se arrastar (e vai, afinal o Morumbi é a única alternativa viável), Alckmin tomou a iniciativa e se prontificou a resolver o problema. Tomara que não seja uma solução conservadora e medíocre como as que costuma oferecer. Em todo caso, melhor uma solução ruim do que nenhuma solução.

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De São Paulo-SP.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Lixo na Big Apple

A quantidade de lixo acumulada pelas calçadas de Nova Iorque demonstra como o desenvolvimento é uma questão bastante relativa. A coleta de lixo está suspensa porque os caminhões responsáveis tiveram de ser utilizados para remover o acúmulo de neve em alguns bairros da cidade.

O lixo é a basicamente o desperdício do trabalho humano. Uma sociedade produz muito lixo quando se apropria da produção que não necessita e que poderia ser utilizada por outros. É um símbolo da desigualdade entre as regiões do planeta. Por conta disso, as maiores quantidades de lixo vêm sempre das regiões mais ricas (e, teoricamente, mais desenvolvidas).

Porém, a destinação do lixo demonstra que o alardeado desenvolvimento não está em todas as áreas! Acumular lixos em depósitos e “lixões” é uma solução medieval para um problema da Era Industrial, ou seja, uma alternativa ineficiente. Opções existem, tais como reciclagem ou usinas que transformam o lixo em energia, mas são pouco disseminadas pelo planeta.

Isso tudo ocorre porque grande parte da população simplesmente acredita que, ao colocar o lixo pra fora de casa, o problema deixa de ser dela. Em Nova Iorque é sintomático constatar que existem pessoas culpando a Prefeitura, esquecendo-se que foram os cidadãos e as empresas que geraram o lixo e o colocaram na calçada.

A propósito, São Paulo não fica muito atrás deles...

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De São Paulo-SP.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Oportunidade única

A hegemonia do PSDB em São Paulo é baseada em dois conservadorismos. No interior, Geraldo Alckmin assumiu o voto pragmático que era de Quércia e, na capital, José Serra herdou os votos conservadores que anteriormente eram de Maluf. Vencer os tucanos só é possível caso um novo elemento seja inserido no cenário.

O novo elemento é Gilberto Kassab (DEMo, por enquanto), o atual prefeito da Capital. Kassab foi um apagado Deputado Federal e Secretário de Planejamento do finado ex-Prefeito Celso Pitta. Escolhido para ser vice-prefeito por José Serra, Kassab caiu sem muitos méritos na cadeira do Prefeito. E lá ficou, inclusive derrotando Marta Suplicy (PT) e Geraldo Alckmin em 2008.

Kassab já é prefeito reeleito, ou seja, não pode se manter no cargo. Moto continuo, quer ser candidato ao Governo do Estado. Kassab é um homem de Serra, mas o atual governador é Alckmin. Ocorre que o PSDB está em luta interna e o derrotado Serra quer manter o poder e o vitorioso Alckmin quer assumir. Alckmin NUNCA deixaria um cupincha de Serra como seu sucessor. E por isso, Kassab está de malas prontas para o PMDB.

Para ser governador, Kassab tem que derrotar Alckmin ou o candidato por ele indicado. Para impedir esta ascensão, o atual governador tem que derrotar o candidato de Kassab nas eleições municipais. Aí que entra o “Centrão”.

O “Centrão” é um aglomerado de vereadores conservadores e fisiológicos que se organizaram na Câmara Municipal de São Paulo para dominar os trabalhos legislativos. O prefeito Kassab ficou refém deles, mas como também é conservador, preferiu apoiar em vez de enfrentar.

Ocorre que a ida de Kassab para o PMDB muda a correlação de forças na política paulistana. O prefeito ganha aliados fora do “Centrão” e tem condições de derrota-lo. É uma demonstração essencial de poder de quem pretende eleger seu sucessor.

E por que o PT apoia o “Centrão”? Porque o Partido dos Trabalhadores tem uma boa relação com o “Centrão”, que foi uma maneira dissimulada de aderirem ao governo (afinal, o “Centrão” era governista antes de Kassab declarar guerra). Os vereadores petistas não podem aderir abertamente ao governo, uma vez que vão lançar candidato contra nas eleições de 2012. Mas também não tem interesse em ficar fazendo oposição na Câmara, pois o trator Kassab-“Centrão” era muito forte. Na disputa entre Kassab e o “Centrão”, o PT optou pelo “Centrão”, pois mantém o jogo mais ou menos como está.

Trata-se de uma opção errada do PT. Manter o jogo como está significa manter a Direita unida e invencível. O despontamento de uma nova liderança de Direita significa a divisão do bloco conservador. Trata-se do elemento novo, a única chance de uma vitória progressista em São Paulo (seja na Capital, seja no Estado). A vitória do vereador José Pólice Neto (PSDB) para presidente da Câmara Municipal é uma vitória de Kassab sobre o “Centrão”, ou seja, mais um passo em sua jornada para o Palácio dos Bandeirantes em 2014. Lá está a verdadeira disputa!

Independente de quem ganhe em 2014, trata-se de uma divisão no bloco conservador. Isso por si só já é uma vantagem para a Esquerda. E vale lembrar que, enquanto Geraldo Alckmin se move cada vez mais para a Direita, Kassab dá uma guinada ao Centro ingressando no PMDB. Entre Alckmin e Kassab, viva Kassab!

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De São Paulo-SP.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Mini-debate sobre o Wikileaks

A Wikileaks é um perigo, pois seu dirigente é totalmente independente, não responde a qualquer autoridade e decide, a seu bel prazer, quais informações divulgar[1]. As informações divulgadas pelo Wikileaks são uma invasão da privacidade de seus autores e podem ter sido adquiridas por meios ilegais, inclusive através de espionagem[2]. Algumas das informações divulgadas pela Wikileaks são gravíssimas e podem colocar vidas em risco[3]. Além disso, o controverso Julian Assange é acusado de estupro na Suécia [4].


[1] De fato. Inclusive, o mesmo pode ser atribuído a qualquer órgão da imprensa. Os jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão e os portais de internet são totalmente independentes, e decidem individualmente quais informações devem ser divulgadas e quais devem ser “abafadas”.

[2] Novamente a similaridade com a imprensa é presente. A mídia não vê qualquer problema em escancarar a intimidade das pessoas públicas, sejam artistas ou governantes. E muitas vezes adquirem sus informações de maneira ilegal. A propósito, a única espionagem confirmada no escândalo da Wikileaks foi a perpetrada pelo governo dos Estados Unidos contra funcionários da ONU (incluindo seu Secretário-Geral) e do Irã.

[3] Em primeiro lugar, o mais grave é que alguém tenha vazado essas informações que coloquem em risco a vida de pessoal (o governo dos EUA já fez isso propositalmente no caso de Valerie Plame, ex-agente da CIA cuja identidade foi revelada durante a administração George W. Bush). Os vazadores devem ser identificados e punidos antes de haver qualquer gritaria em torno do Wikileaks. Em segundo lugar, tais informações que colocam em risco a vida de pessoas, bem como as que violam sua intimidade devem ser avaliadas sob o prisma do interesse público, podendo inclusive ser um legitimo limitador para a liberdade de expressão. Afinal, a liberdade de uns não pode violar a vida de outros. Em terceiro lugar, as informações divulgadas pela Wikileaks são, em geral, telegramas indiscretos que causam, no máximo, um pequeno mal estar diplomático entre os EUA e algumas nações que se consideram suas aliadas.

[4] É, no mínimo, suspeito que as acusações contra Julian Assange sejam desarquivadas logo após a polêmica explodir. Muito mais suspeito é o fato de praticamente toda a mídia no Brasil, EUA e Europa ignorar o fato de que a acusação do processo criminal em questão é por ter feito sexo sem proteção, que na Suécia é considerado uma modalidade de estupro. A mídia não divulgou esta informação, nem mesmo como boato ou para desmenti-la. Quer dizer, que absurdo que os donos dos jornais decidam a seu bel prazer, sem consultar nem responder a ninguém, qual informação divulgar e qual “abafar”!


Julian Assange é uma figura controversa. Provavelmente um maluco. O Wikileaks é um perigo e deve ter seus limites. Assim como a imprensa o deve. Estes limites são o interesse público, mas devem ser muito bem delimitados, para não possibilitar abusos por parte dos Governos contra as informações que o desagradem. Afinal, a ausência da Liberdade de Expressão é um perigo muito maior do que a Wikileaks ou qualquer órgão da imprensa. A propósito, a pressão dos EUA para retirar o servidor do Wikileaks e impedir doações por cartões de crédito é comparável às atitudes de controle exercidas pela China sobre a internet, mas ao menos o Governo Chinês é honesto em dizer que considera a internet perigosa, diferente dos EUA que se apresentam como o último bastião da liberdade.

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De São Paulo-SP.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Não confiem em banqueiros!

A constitucionalidade do cadastro positivo é bastante duvidosa, e seu resultado prático mais ainda! A ideia é um SPC/SERASA ao contrário, em vez de listar os maus pagadores, listaria os bons, conforme suas compras à prazo. Tecnicamente, os bons pagadores são os que não constam nos sistemas já existentes de maus pagadores e diferenciá-los conforme seus hábitos de consumo seria uma clara violação ao princípio da igualdade.

O efeito prático do cadastro positivo também é bastante injusto, uma vez que se objetivo é baixar os juros dos bons pagadores (constantes do cadastro). Ora, se os juros abaixarão para uns, deverão ser aumentados para outros. E quem serão estes outros? Serão os bons pagadores que não constam no cadastro positivo (uma vez que os maus pagadores, que constam do cadastro negativo, não tem direito algum à crédito). Resumindo, os bancos estarão legitimados a AUMENTAR os juros pelo cadastro positivo...

Outra questão fundamental é que, no Brasil, o lucro dos bancos bate recordes todos os anos, ou seja, não há risco algum para as entidades que atuam neste setor da economia que justifique a criação de mais uma salvaguarda.

Diga-se de passagem, a queda na inadimplência do cartão de crédito nunca foi compensada por reduções nas taxas de juros, confirmando apenas que os banqueiros não se sentem e nunca se sentirão compelidos a cumprir qualquer redução de juros pela simples criação do cadastro positivo.

A Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) já anunciou que, antes de decorrido um ano, o cadastro não terá efeito. Se é que, depois deste período, terá efeitos positivos, pois os negativos são visíveis.

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De São Paulo-SP.