Democracia se aprende na prática. É por tentativa e erro, depois de eleger muitos picaretas e se arrependendo depois, que o eleitor vai aprender a votar e se tornar mais consciente. Trata-se de um processo lento e gradual. Quanto mais eleições tiver o Brasil, mais consciência terá seu Povo na hora de escolher os governantes.
Sendo assim, não é para menos que o processo eleitoral é tão combatido pelas elites no nosso País. Não estamos nem falando de golpes e fraudes, mas da campanha anti-eleitoral que é promovida diuturnamente pelos setores econômicos que mandam no Brasil.
A cada reforma eleitoral, diminui o período de campanha e as regras de propaganda se tornam ainda mais restritivas. Além disso, as campanhas são cada vez mais caras, o que impede a participação de candidatos sem apoio de grandes grupos.
Em vez de tentar apequenar as eleições, deveria ser feita uma reforma eleitoral que separasse os diversos pleitos. Em 2010 ocorre a chamada “eleição gorda”, um processo de eleições "quase gerais" em que o eleitor tem que escolher o Presidente, Governador, dois Senadores, um Deputado Federal e um Deputado Estadual. São tantos cargos a serem preenchidos que algumas das eleições ficam em segundo plano. O eleitor até presta atenção no debate presidencial e na escolha do governador, mas acaba pesquisando pouco sobre seus senadores e deputados.
Se as eleições dos cargos legislativos fossem separada das eleições dos cargos executivos, certamente a qualidade dos nossos senadores e deputados eleitos melhoraria sensivelmente. Em vez de manter essa “eleição gorda”, deveria ocorrer a fragmentação dos pleitos com eleição todo ano (atualmente as eleições ocorrem ano sim, ano não) ou até mesmo todo semestre.
Quanto mais votar, mais consciente será o eleitor e mais qualificados serão os eleitos. E provavelmente por este mesmo motivo não existam iniciativas neste sentido no nosso Congresso Nacional...
**********
De São Paulo-SP.