segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Análise de um factóide

Com manchete de capa, o jornalão O Estado de S. Paulo ataca a União Nacional dos Estudantes com graves acusações. Não é a primeira vez que a UNE sofre ataques do tipo, inclusive do Estadão. Basta lembrar que nos meses que antecederam ao Golpe de 64, o Estadão foi um dos mais encarniçados adversários da UNE. E as acusações eram exatamente com o mesmo teor!

Vejamos pontualmente o que diz a matéria:

“UNE é suspeita de fraudar convênios”. Falta uma informação nesta frase: QUEM suspeita da UNE? Após ler a matéria, não vemos ninguém assumir a suspeita, ou seja, quem suspeita da UNE é o próprio jornalista autor da matéria!

“Dados do Ministério da Cultura apontam irregularidades da União Nacional dos Estudantes em nove convênios”. Novamente falta uma informação. Dados não apontam, quem aponta é a pessoa que analisa os dados. E quem analisou estes dados? O Ministério Público Federal? Um analista do Ministério da Cultura? Uma Comissão Parlamentar de Inquérito? Não: “O repórter Leandro Colon analisou dois desses convênios”. Qual a qualificação técnica deste repórter para fazer tal análise?

“Pelo menos nove acordos firmados com a entidade, no valor de R$ 2,9 milhões, estariam em situação irregular”. Estariam ou estão? Quem determina se os acordos estão irregulares? Novamente é o repórter Leandro Colon.

“Aliada do governo, a União Nacional dos Estudantes (UNE) fraudou convênios, forjou orçamentos e não prestou contas de recursos públicos recebidos nos últimos dois anos”. Ao fazer tais acusações, podemos dizer que a UNE está sendo vítima de Calúnia (art. 138, do Código Penal) e Difamação (art. 139, do Código Penal).

Outras informações que faltam na matéria:

A reportagem não revela que os orçamentos das empresas irregulares não foram efetivados, ou seja, a UNE não firmou qualquer contrato com as empresas. Além disso, a responsabilidade pelas informações prestadas é da própria empresa.

A reportagem alega que os convênios da UNE estão com os prazos vencidos, mas não publica sequer uma única declaração de algum responsável do Ministério da Cultura. Ou seja, pode ser mais uma "suspeita" do jornalista do que um fato real.

Em 1964 ou em 2009, o jornal O Estado de S. Paulo continua agindo exatamente com as mesmas armas.

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De São Paulo-SP.

domingo, 29 de novembro de 2009

Má vontade

Existe certa má vontade da grande mídia com o Movimento Estudantil. Repórteres que nunca tiveram qualquer relação e pouco conhecem sobre o Movimento, simplesmente são destacados para escrever matérias e apresentam sua opinião como fatos verdadeiros e incontestáveis.

O 51º Congresso da UNE é um mega-evento que reuniu 10 mil estudantes de todo o Brasil para definir os rumos de uma entidade com mais de 70 anos e que esteve envolvida nos principais acontecimentos da história do Brasil. Foi solenemente ignorado pela imprensa: praticamente nenhuma matéria foi escrita para descrever a pauta do evento, seus debates educacionais, as bandeiras de luta da UNE em defesa dos estudantes etc. As poucas matérias sobre o Congresso da UNE foram para criticá-lo e dizer que a entidade é governista e ligada ao Governo Federal. Depois do Congresso, misteriosamente choveram reportagens sobre a UNE, quase todas negativas.

Se a imprensa dá pouca atenção ao Congresso da UNE, em geral sequer lembra-se da existência das eleições para o DCE da USP. Curiosamente essa semana um determinado jornal publicou matéria de meia-página com direito a foto e tudo mais. Porém, em vez de abordar o processo eleitoral como um todo, a reportagem era praticamente uma peça publicitária em apoio a uma das chapas concorrentes, exatamente a que se dizia descaradamente contra a greve dos professores e funcionários.

Ainda na semana passada, foi publicada uma matéria sobre a eleição do DCE da UFRGS, que foi vencida pela chapa de Direita ligada ao PSDB. Esse repentino interesse da imprensa paulista sobre o Movimento Estudantil gaúcho é bastante suspeito, ainda mais considerando que nunca publica matérias sobre manifestações estudantis contra a governadora tucana Yeda Cruzius.

No daí 17 de novembro, na capa de todos os jornais do Brasil foi publicada foto em que um grupo de parlamentares visita Cesare Battisti. Na foto junto com o grupo está André Vitral, o Diretor de Comunicação da UNE, mas que não é citado em absolutamente nenhuma legenda. Ou seja, a UNE é ignorada até mesmo quando sai na foto de capa dos jornais!

Diante disso, não deve ser sequer levada à sério a matéria de capa de hoje (29/11) do Estadão, atacando e acusando a UNE. Obviamente, as demais matérias sobre Movimento Estudantil só foram publicadas durante essa semana eram uma preparação para o ataque no domingo. É o PIG* em ação!

* Partido da Imprensa Golpista, segundo Paulo Henrique Amorim.

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De São Paulo-SP.

FOTO: José Cruz/ABr

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Quem é Mahmoud Ahmadinejad

O atual presidente do Irã é uma figura prá lá de polêmica. Sendo assim, para entender Mahmoud Ahmadinejad não há lugar para simplificações, afinal como poderia ser simples o cara que preside uma República Islâmica, ou seja, um país que tem toda a estrutura democrática liberal, porém está submetido aos rigores da lei islâmica

Mas enfim, quem diabos é Ahmadinejad?

Em primeiro lugar, desfaçam-se as ilusões esquerdistas: Mahmoud Ahmadinejad é um conservador. Ele não é um reformista que quer tornar o Irã menos rígido em suas normas comportamentais (quem tentou isso, sem sucesso, foi o ex-presidente, o Muhammad Khatami).

Não é um reformista, mas também não é um ditador (quem falou essa bobagem foi o Denis Lerrer Rosenfield, um dos maiores idiotas do Brasil). Ahmadinejad foi eleito democraticamente e não foi ele que impôs essas leis exageradas que obrigam as mulheres a andaram de véu. Além disso, o Irã tem instituições e separação de poderes como qualquer democracia. Diga-se de passagem, Ahmadinejad não é nem mesmo o cara mais poderoso do Irã, pois tem um Aiatolá que é o Líder Supremo da Revolução Islâmica.

O Presidente iraniano também não é um maluco que quer uma bomba atômica a qualquer custo. O Irã mantém um comportado programa nuclear para fins pacíficos, como muitos outros países do mundo, mas tem sofrido essas acusações porque os EUA gostam de espezinhar todo mundo que não pensa exatamente como eles. A propósito, mesmo que Ahmadinejad quisesse uma bomba atômica isso não faria dele maluco, afinal, depois de oito anos de Bush bombardeando e invadindo Afeganistãos e Iraques afora, nunca se sabe quando chega a vez do Irã (e não há sorriso de Obama que faça alguém esquecer o que houve nessa década). Se Israel tem armas nucleares, por que o Irã não poderia?

Por fim, para não deixar barato, fazemos questão de declaram que Mahmoud Ahmadinejad é um imbecil quando nega o holocausto judeu. Se ele tem um problema com Israel, deveria manter isso no eixo político, sem estender sua raiva para o âmbito anti-semita e teorias malucas que querem reescrever a História.

Resumidamente, podemos dizer que Mahmoud Ahmadinejad é um conservador e um imbecil, mas não é um ditador e muito menos um maluco. E, se para contrapor ao poder imperial dos Estados Unidos for necessária uma aliança com ele, por que não?

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De São Paulo-SP.

CHARGE: www.johncoxart.com/CARI.Ahmadinejad.gif

domingo, 22 de novembro de 2009

Crepúsculo: uma porcaria!

A série Harry Potter tem sua pequena mitologia, tem um enredo inteligente, tem personagens elaborados e um cenário interessante. É razoável que alguém goste.

A série Crepúsculo não respeita a mitologia já existente (dos vampiros), tem um enredo banal, personagens vazios e um cenário raso. Somente adolescentes emos podem gostar dessa porcaria. A propósito, na versão cinematográfica os atores são péssimos.

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De Cotia-SP.

sábado, 21 de novembro de 2009

SARESP: como simplificar um problema complexo

As equipes de professores cujos alunos tiverem as melhores notas no SARESP terão bônus nos salários. Como se o problema da educação pública em São Paulo fosse uma simples relação entre professor e aluno.

Com o bônus, as escolas que já são melhores vão continuar melhores, pois passarão a atrair os melhores professores. Os melhores professores, alguns dos quais preferem dedicar sua carreira a lecionar nas piores escolas, por uma questão monetária vão abandoná-las e pedir transferência para as melhores escolas. E as piores escolas vão ficar piores ainda, enquanto as melhores vão ficar melhores ainda.

E o abismo vai aumentar...

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De Cotia-SP.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O Julgamento de Battisti

Nossa opinião com relação ao caso da extradição de Cesari Battisti, acompanhará humildemente o seguinte trecho do parecer do ilustre jurista professor Celso Antônio Bandeira de Mello:

"Sucede, todavia, que esta foi apenas uma dentre muitas manifestações expressivas de um estado de espírito destemperado e flagrantemente desproporcional em relação ao caso CESARE BATTISTI.
"Com efeito, o ex-Presidente da República Italiana FRANCESCO COSSIGA afirmou que "o Ministro da Justiça do Brasil disse umas cretinices" e que o Presidente LULA era do tipo chamado na Itália de "cato-comunista". O Vice-Prefeito de Milão propôs um boicote aos produtos brasileiros "como forma de pressionar o Brasil a reconsiderar a decisão" de refúgio a CESARE BATTISTI. O Vice Presidente de Relações Exteriores do Senado da Itália, Senador SERGIO DIVINA defendeu o "boicote turístico ao Brasil". O Ministro da Defesa IGNAZIO LA RUSSA declarou que a decisão "coloca em risco a amizade entre a Itália e o Brasil", ameaçou "se acorrentar à porta da embaixada brasileira em Roma" e saiu à frente de uma passeata de protesto em Milão contra o refúgio a CESARE BATTISTI. Aliás, o próprio presidente do Conselho de Ministros Italiano, ROMANO PRODI, enviou carta pessoal ao presidente LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA, encarecendo a importância 'para o Governo e a opinião pública da ltália que a extradição fosse deferida pelo Supremo Tribunal Federal.
"Será que isto ocorreria se estivesse em pauta um crime comum ?"

Para o governo Silvio Berlusconi, atolado em escândalos, a extradição de Battisti é mais um factóide.

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De Cotia-SP.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Rodoanel

Na época do buraco do Metrô, que matou sete pessoas e interditou 55 imóveis, o candidato presidencial tucano José Serra (que nas horas vagas é Governador de São Paulo) fingiu que não era com ele e que não tinha nenhuma relação com o governo anterior, de Geraldo Alckmin do mesmíssimo PSDB... Até hoje ninguém foi punido pela tragédia e as empresas envolvidas continuam ganhando rios de dinheiro em contratos com o Governo do Estado.

Será que agora, com o acidente do Rodoanel, José Serra vai assumir sua responsabilidade?

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De São Paulo-SP.